Vento Suli – um blog com sotaque ilhéu

17.1.06

O Vento Sul e o Diabo

O Diabo é um dos três verbetes com maior número de sinônimos na língua portuguesa, segundo o Aurelião. São mais de cem nomes para o Dito Cujo. Mas deve faltar um, o Vento Suli.

O Silvio “ligeirinho”, um amante do Vento Sul, lembrou em seu comentário de uma música do Dazaranha: “o diabo desembarcou, desembarcou na Ilha”. Um dos integrantes da banda, o Jerry, que não gosta do Vento Sul, explicou que os antigos diziam que dia de Vento Sul era o diabo que estava revoltado, vindo e virando a vida e as sombrinhas das pessoas.

O Fábio, amigo que mora na Armação do Pântano do Sul, também acha que o Vento Sul é o Diabo, não aquela figura maldosa, mas um brincalhão. Segundo ele, nos dias de Vento Sul, o Danado fica brincando com a porta da casa. Se ele quer deixá-la aberta, vem o Vento Sul e a fecha bruscamente; se quer deixá-la encostada, lá vem o Pé-de-bode para escancará-la.

E você, acredita nisso?

8.12.05

Vento boleiro

O vento suli é goleador mesmo. E com artilheiro não se brinca, deu mole ele empurra a bola para as redes. Na última terça, durante a pelada da semana, fui testemunha – e vítima (sou goleiro!) – da habilidade do vento sul. Aquela bola que vinha fácil pelo alto – pelo menos parecia... –, depois de uma cabeçada ou chute sem grandes pretensões, sofreu um desvio inesperado. Para o meu azar, a nova trajetória levou a bola direto ao gol.

Conte você também sua história e suas impressões sobre o vento sul. Se conhecer alguma lenda, mito, crendice, costume ou fato real ligado ao vento sul, assim como poemas, contos, músicas, charges etc. que tratem do tema, envie para publicação no blog ou poste um comentário, não esquecendo de sempre se identificar e também os autores de obras citadas. Pode ser uma simples curiosidade, tudo o que for referente ao vento sul é importante nesse espaço.

6.12.05

Vento Suli – uma breve introdução

"Eu quero perder-me a fundo no teu segredo nevoento, ó velho e velado vento, velho vento vagabundo!", diz Cruz e Sousa, na última estrofe de Velho Vento. Apesar de não ser o mais freqüente em Florianópolis, o vento sul é o mais relacionado com a história da cidade, chegando mesmo a fazer parte de sua cultura, por meio de mitos e lendas, da literatura e da música. Pelas características da cidade, uma ilha costeira, o vento sul também exerce influência significativa sobre diversas atividades econômicas, como a pesca e o turismo, e esportivas, como surf, wind surf e vôo livre, entre outros.

Em um estudo sobre a climatologia do vento sul na Grande Florianópolis, alunos do Curso Técnico de Meteorologia do Cefet/SC identificaram a direção predominante do vento na região: norte. O vento sul é o segundo mais freqüente, mas é o mais intenso e o mais frio, e normalmente está associado a chuvas. Gélido e uivante, traz o cardume de tainhas no inverno, acaba com a praia num dia de verão, alimenta histórias de bruxas no interior da Ilha de Santa Catarina, forma hábitos, costumes e crendices de seus habitantes. O historiador Raul Caldas Filho adverte: "é bom não contar muito com o ilhéu em dias de vento sul; pois só os compromissos totalmente fundamentais continuam sendo cumpridos".

O vento sul é tão arraigado à cultura dessa cidade que se acredita que ele é um aliado dos times de futebol locais. Em 2003, os jogadores do Sport Club Internacional, de Porto Alegre, voltaram atordoados para os vestiários do estádio Orlando Scarpelli, após levar um banho de bola e três gols no primeiro tempo contra o Figueirense e, é claro, contra o vento. "O cara quer correr e não vai", dizia o ala Elder Granja, na ocasião.

O blog Vento Suli é uma extensão do estudo Climatologia do Vento Sul na Grande Florianópolis, de Alexsandro Vanin, Carlos Rocha, Cíntia Miguel, Janaína Vieira e Marcelo da Silva, e servirá de base para a elaboração de um estudo que cruzará informações científicas com mitos, lendas e episódios históricos atribuídos ao protagonista deste espaço, o Vento Suli. Toda contribuição é mais do que aceita, é bem-vinda.